E foi andando por caminhos desconhecidos, trilhando estradas
sem destino, sentindo o que outrora não foi sentido que sobrevivi. Ao que? A
esse mundo sem respostas óbvias, sem um único caminho, muito menos uma única
verdade. Toda essa pluralidade que nos é mostrada através dos tempos só nos faz
perceber, - se sensível formos – que o que faz a vida ser única é justamente a
suas interconexões. Toda a sua unicidade sacramentada numa verdade que só se
aproxima dela quem de fato se inclina para ouvi-la. É fato que não são todos
que podem compreende-la, e não há, na verdade, uma simplicidade para que você
consiga aproxima-la dela. Existe sim, um trajeto cheio de renúncias e
aprendizado, e as incertezas nos indicam o caminho que nos levará ao real
sentimento do Ser. Não sabemos se existe vida antes ou depois da morte, o que
sabemos é que percorremos o caminho durante esse início e possível fim, e a
forma como vivenciamos toda essa caminhada faz a diferença e nos aproxima
daqueles que estão caminhando conosco.
Se temos uma certeza é de que não estamos só. Quer seja por
uma experiência física, sentimental ou até mesmo por meio dos sonhos, sonhos
estes que nos levam a lugares desconhecidos pela nossa visão material, nos
transporta a viver momentos que talvez nunca se aproximem sequer da realidade
cotidiana. Outro princípio que nos provam a nossa complementariedade é olharmos
para as estrelas e contraditoriamente sabermos que elas são as que viveram
milhões de anos atrás. Fato esse que nos choca e que causa, na melhor das
hipóteses o sentimento de sincronicidade e ao mesmo tempo uma sensação de que
somos tão passageiros e uteis como os raios de sol que tem seu efeito e logo se
esvai.
Quando percebemos que não somos os senhores do mundo, e nem
ao menos de nós mesmos, refletimos ao fato de que antes de nós, tudo se fez, e
que depois de nós, tudo ainda subsistirá.
E é olhando com esse olhar de continuidade que nos deparamos
com um dos grandes mistérios da vida: Por quê existimos? E se não existíssemos,
que falta faríamos?
E é tentando responder as essas questões que vamos
incansavelmente vivendo com a intenção de provar, provar que somos bons, que
merecemos o melhor, que não somos piores que ninguém, nos esquecendo, porém,
que não somos nada além de uma peça que se encaixa na mecânica da vida. Somos
peças elementares que trabalham a favor do seu Criador, quer seja ele um campo
energético que nos impulsiona, ou um Criador inteligente que pensou em cada
detalhe quando criou até mesmo o vazio que se formou em meio a tantas galáxias,
planetas, átomos, moléculas e os organismos que vivem de forma ativa e/ou
passiva. Estamos longe de sermos os mais evoluídos, o que sabemos, no entanto,
é que a ordem tem se dado através do caos e que no meio de toda essa entropia,
a nossa caminhada não pode ser em vão, banal, fútil ou muito menos, pequena. De
pequeno, aliás, já basta a nossa finitude.